O meu mundo está às escuras, já não me lembro do que pensei, no que quis, nem no que sonhei. Quero que tudo volte atrás, não quero ser este monstro horrível em que me pintaram. Há momentos em que não sabemos pensar, que temos demasiado medo de fazer asneira, em que não queremos mesmo magoar ninguém. Era tudo tão novo, tudo tão recente, as caras eram outras, os cheiros, as sensações, simplesmente me esqueci que os sentimentos não iam mudar a sua maneira de manifestação.
Vislumbrei algo que me pareceu aquilo que alguém procurava, vi em mim algo bom, senti-me alguém. Não consegui evitar a fascinação por isso, não consegui identificar se aquilo que sentira era o necessário. Comecei a sentir pressão nas palavras belas que ouvia e comecei a sentir necessidade de as dizer também, como se me sentisse mal por nunca as pronunciar.
Passou-se algum tempo, um tempo fatal, tempo demais, até que conseguisse perceber que aquele não era o sentimento que eu conhecera tão bem em tempos e que talvez estivesse a sentir por outro alguém, alguém não muito distante.
Fiz asneira, construi o meu próprio fado, esse que não era nem um pouco como desejara e ainda desejo. Estraguei tudo em semanas, dias, horas e talvez até em segundos o fiz. Sinto vontade de me encolher neste mundo, ficar aqui para sempre sem ter de tentar controlar o que o meu coração deseja, ter de recuar quando o que quero é avançar.
Confusão, desilusão, tristeza, é tudo o que consigo sentir é tudo no que consigo pensar. Talvez um dia recupere o que sou aos olhos dos outros, talvez um dia percebam realmente o quebra-cabeças em que me cerrei. Por enquanto, só me tenho a mim para o poder provar, um dia concordarás com este ser.
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